Auto Flagelo
quis dizer presença, garrafa de cerveja... é o que eu tenho na mão agora... minha única companheira nas subidas e descidas dessas ruas desconhecidas... na verdade, essas ruas me parecem familiar, mas esta tudo girando e minhas pernas dançam por si só; me sinto orgulhoso do meu equilíbrio pois, apesar dos tropeços e das cambaleadas, nenhum pingo de cerveja foi derrubado... Perai! isso quer dizer que não estou bêbado suficiente - e assim viro a garrafa para lhe dar outro beijo embriagante - Por que estou bebendo? Já que não consigo esquece-lá de jeito nenhum? Por que me aventuro em ruas tão tortuosas quanto nossa relação? será que esta melhor do que eu ou ainda pensa em nós? Foda-se, ainda não estou bêbado o suficiente e minha cerveja acabou então só continuo andando... Para minha surpresa encontro uns skinheads espancando um mendigo, então entro no meio desferindo golpes errantes e aleatórios, acerto o suficiente para espanta-los... antes que o mendigo pudesse me agradecer, tomo da mão dele uma garrafa cheia de licor e o afugento roubando sua "parceira" assim como um maldito roubou a minha e decido seguir por um beco escuro, bem mais aconchegante do que as trevas do meu quarto... É naquele breu, observando vultos que encontro demônios... penso até reconhecer os famosos súcubos... passou pela minha cabeça que estavam aqui para me mandar pro inferno, agora imagino o quão ingênuo fui ao tentar imaginar um inferno pior que a realidade em que vivo... aqueles demônios estão aqui só para observar meu sofrimento... estou bêbado o suficiente para perceber que tudo que procuro agora é somente um auto flagelo, a punição pelo erro que cometi ao deixa-la ir, tudo planejado pelo subconsciente: desde a vontade de beber para perder o controle de mim, até a procura do meu flagelador nos punhos de skinheads, mas nem nisso tive sucesso... então continuei seguindo pela penumbra adentro até que pudesse encontrar uma calçada aconchegante para dormir...
Pela manhã, assim que o sol bate em meu rosto, descubro que meu subconsciente me pregou uma última peça, todo o caminho familiar levava até ela, esta calçada onde adormeci é a calçada dela e esta casa onde meus olhos tentam fixar... DEUS! que pesadelo! é a casa dela!
Autor: Vinícius Pacheco Silva
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